Março é o mês da campanha de conscientização sobre o câncer de colo de útero. Conhecido como Março Lilás, a campanha alerta para o aumento da incidência e as formas de prevenção para esse tipo de câncer, que é o terceiro mais incidente entre as mulheres, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA).
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Foto: Divulgação
Segundo o Dr. Alexandre Rossi, médico ginecologista e obstetra, responsável pelo ambulatório de Ginecologia Geral do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros e médico colaborador de Ginecologia da Faculdade de Medicina da USP, “o tumor se desenvolve a partir de alterações no colo do útero, chamadas de lesões precursoras, que são totalmente curáveis se diagnosticadas e tratadas precocemente. Se não houver o tratamento, as lesões podem se transformar em câncer”.
O aparecimento das lesões está associado a infecção persistente pelo vírus HPV (papilomavírus humano), que é sexualmente transmissível e não apresenta sinais nos estágios iniciais. Conforme a doença avança, podem aparecer sangramento vaginal, corrimento e dor. Em caso de aparecimento destes sintomas, é importante procurar um médico para avaliação.
Segundo estimativas do Inca, de 2023 a 2025, 17 mil mulheres terão recebido o diagnóstico de câncer de colo de útero, o que corresponde a 15,3 casos para cada 100 mil mulheres.
Previna-se
“A prevenção do câncer de colo de útero se baseia em três pilares principais: vacinação contra o HPV, exames preventivos e adoção de hábitos saudáveis”, explica o Dr. Alexandre Rossi.
A vacina protege contra os tipos de HPV mais associados ao câncer de colo de útero e é oferecida gratuitamente pelo SUS para meninas e meninos de 9 a 14 anos e mulheres até 45 anos, em algumas condições específicas. Vale lembrar que a vacinação é mais eficaz quando realizada antes do início da vida sexual.
Os exames preventivos incluem o Papanicolau, que detecta alterações nas células do colo do útero, permitindo o diagnóstico precoce de lesões pré-cancerígenas. Ele é recomendado para mulheres de 25 a 64 anos, de acordo com a orientação do médico. Em alguns casos, poderá ser solicitado o teste de HPV, que identifica a presença do vírus no colo do útero. Este teste pode ser realizado em conjunto com o Papanicolau ou como teste de rastreamento primário.
Outras medidas preventivas incluem o uso de preservativo, que protege não apenas contra o HPV, mas também contra as demais ISTs. Manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras e legumes, fortalece o sistema imunológico.
Evitar o tabagismo, que aumenta o risco de diversos tipos de câncer, incluindo o de colo de útero e manter consultas regulares com o ginecologista, para acompanhamento da saúde ginecológica e realização de exames preventivos, completam as orientações.
É fundamental que mulheres de todas as idades busquem informações sobre a prevenção do câncer de colo de útero e conversem com seus médicos sobre as melhores estratégias para cada caso.